o fim já acabou?….

… e a gente sobreviveu? achava que só iam restar as baratas… não consigo explicar, talvez nem sentir. só olhei pro teto por 20 minutos, piscando pouco até meus olhos doerem e levantei para escovar os dentes. escova pasta para dentes sensíveis esfrega esfrega esfrega compulsivamente olhando pro espelho vendo uma imagem mas tentando enxergar o que está por detrás dela. pareço um fantasma com … Continuar lendo o fim já acabou?….

O ENEM a Deus pertence

Como pessoa ateia que sou, sinto o irrevogável e, acredito, justo – quiçá divino – direito de criticar a postura de todos os ateus habitantes deste país do qual vos falo. É uma licença poética da qual me utilizo para convocar os que não se vêem representados pelo sistema logístico religioso, qualquer que seja, à presente discussão. A religião, embora tenhamos herdado os resquícios mastigados … Continuar lendo O ENEM a Deus pertence

Entre pianos, beats, sintetizadores e vozes

por Letícia Miranda Era domingo à tarde, eu estava sentada na minha cama vasculhando o Spotify. Estava na onda de ouvir minhas músicas instrumentais preferidas. Chiquinha Gonzaga começou a tocar. Me dei conta de que nunca tinha ouvido tão atentamente suas músicas. O piano falava. Quando começou a tocar suas canções, definitivamente, me dei conta do poder de sua arte. A forma como Chiquinha Gonzaga … Continuar lendo Entre pianos, beats, sintetizadores e vozes

A profecia

“Não sei se você acredita nessas coisas” –  ele disse enquanto eu entrava apressado no carro – “mas minha mulher sonhou com você todo ensanguentado preso nas ferragens desse seu carro aí”. Explodo num riso forçado de quem não sabe como reagir.  Estou a 60 quilômetros de casa, meia hora atrasado para um compromisso e o sol, escondido atrás de densas nuvens de uma inevitável … Continuar lendo A profecia

dinâmica de grupo

O teatro é um lugar amedrontador para os tímidos. É a supra-essência do que não queremos na vida: aparecer. Ir ao teatro em si já pode ser um evento com múltiplas camadas de pânico e ansiedade pelo risco de uma performance interativa. O horror. Ser chamado ao palco para interagir com atores que estão, diga-se de passagem, preparados para a peça e sabem suas falas … Continuar lendo dinâmica de grupo

Isto não é uma resenha #03

Estou lendo três livros ao mesmo tempo e tudo começou em São Paulo, onde tenho o privilégio de desfrutar de conversas enriquecedoras com o avô poeta Augusto de Campos. Ele parece saber o nome de todos os livros e autores e ainda consegue citar enredos e versos elevando consideravelmente o nível das conversas de almoço. Como uma esponja, absorvo o possível, fazendo dezenas de anotações … Continuar lendo Isto não é uma resenha #03

Quando eu mediei o fresno

“Pilha mediar o fresno amanhã?” – dizia a mensagem que recebi às 13h31 da última segunda-feira enquanto aguardava chamarem minha senha no cartório de registro de imóveis. Esperar no cartório é uma das coisas mais relaxantes que faço no meu trabalho, mesmo assim exige foco, e o convite me pegou de surpresa. Fresno, no caso, é o Lucas Silveira, vocalista da banda pela qual é … Continuar lendo Quando eu mediei o fresno

isto não é uma resenha #02

“For twenty years I was lost to bulimia and alcoholism  and bad love and drugs. I suffered. My family suffered. I had a relatively magical childhood, which added an extra layer of guilt to my pain and confusion. Glennon – why are you all jacked up when you have no excuse to be all jacked up?” O livro da vez, pra mim, é LOVE WARRIOR, da … Continuar lendo isto não é uma resenha #02

Infame Infância: Queda

Zé era um extremista. Corria até vomitar, ria até se mijar, tomava um pote de sorvete por vez, dois litros de refrigerante, regurgitava o rodízio pra poder continuar. As brincadeiras de luta só cessavam com sangue e, para testar sua força, certa vez se pendurou do lado de fora da janela do quarto andar. Era sempre assim. Sem meio termo. Poderíamos diagnosticá-lo com comportamento compulsivo … Continuar lendo Infame Infância: Queda

de como os rolos de papel higiênico não só não salvaram os pássaros como me deixaram de castigo por uma semana

Um título sucinto pede uma história sucinta: Rios imensos de papel higiênico espalhados pela rua. Obviamente, meus pais foram chamados. Alguém me dedurou. Na hora da bronca, só pude jogar a responsabilidade contra eles. “Vocês que me disseram!”, alardeei aos berros [pausa para aquele momento em que os pais não podem voltar atrás na merda que falaram, mas continuam com a razão visto que – são … Continuar lendo de como os rolos de papel higiênico não só não salvaram os pássaros como me deixaram de castigo por uma semana